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Consciência: a voz de Deus

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A ruína do homem vicioso é se tornar insensível

O Antigo Testamento deixa claro o conceito de consciência. Quando Adão e Eva desobedeceram a Deus eles se esconderam “longe da face do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (cf. Gn 3,8). A consciência deles os alertou sobre algo errado que eles haviam cometido. Lemos no Livro de Samuel que “Davi sentiu remorsos de consciência e disse a Deus: ‘pequei gravemente com o que fiz; mas agora, ó Senhor, perdoai, vos rogo, a culpa de vosso servo, porque procedi muito nesciamente’” (2 Sm 24,10).

No Novo Testamento encontramos o termo “consciência” 15 vezes. A Carta aos Hebreus, por exemplo, aconselha a que nos aproximemos de Jesus, Sumo-sacerdote “com intenção sincera, cheios de fé, com o coração purificado da má consciência” (cf. Hb 10,22). São Paulo, na Carta a Tito, asseverou: “Para os puros tudo é puro; para os corruptos e para os incrédulos nada é puro, porque a sua inteligência e sua consciência estão contaminadas” (Tito 1,15).

Grandes teólogos definiram a consciência como a “voz de Deus”. Isso é profundamente bíblico, porque a consciência é “teônoma”. Ela transmite a lei divina e concomitantemente oferece condições para se julgar um ato realizado ou por realizar da parte do ser racional com todo o discernimento. Diz Paulo aos Coríntios: “Minha consciência, é verdade, de nada me acusa, mas nem por isso estou justificado; quem me julga é o Senhor” (1 Cor 4,4). Sempre que este apóstolo se refere à consciência, realmente, ele menciona Deus (cf. 2 Cor 4,2) ou o testemunho do Espírito Santo (cf. Rm 9,1). Este texto do apóstolo dos gentios é também elucidativo: “Pois bem, esta é a nossa ufania: o testemunho da nossa consciência, de que temos procedido no mundo, e de modo particular para convosco, com a simplicidade e sinceridade que vêm de Deus, não com a sabedoria humana, mas com a graça divina” (2 Cor 1,12).

Que Deus ilumina a consciência e nos fala por meio da consciência é certo, pois o Altíssimo sonda os rins e os corações (cf. Jr 11, 20;17,10). Davi suplica: “Cesse a maldade dos iníquos, e amparai o justo, vós, Deus, justo, que perscrutais o coração e as entranhas” (Sl 7,10). Diz ainda o salmista ao se dirigir ao Onisciente Senhor: “Vós examinais o meu caminhar e as minhas paradas e todo o meu proceder vos é familiar.[...] Por trás e pela frente, vós me envolveis, e me fechais na vossa mão” (Sl 139, 3..5). Eis por que o remorso da consciência é consequência da não aceitação dos recados divinos. Entretanto, a última ruína do homem vicioso é a de se tornar insensível ao remorso. Santo Agostinho advertia: “A tudo podes fugir, ó homem, salvo da tua consciência. Se os pecados te roem a alma, não encontrarás no teu interior recanto algum em que te possas refugiar”. Isso porque houve uma ruptura entre o ser contingente e o Ser Supremo, um rompimento da aliança e harmonia que devem existir entre a vontade submissa à razão e esta ao Espírito que ilumina.

Feliz aquele que pode então repetir com Jó: “Em consciência, não tenho que me arrepender dos meus dias” (Jó 27,6).

Por mais interiorizada que seja a consciência, ela tende, com efeito, a avaliar o mistério de Deus através do conhecimento que tem da Sua vontade expressa na Lei. O que vale, naturalmente, para o batizado é deste modo a pureza de intenção, ou seja, o esforço contínuo, sincero, sem dubiedades de se sujeitar aos desígnios de Deus, que lhe fala, persistentemente, por meio de sua consciência. É o Espírito infundido nos corações que assim torna livre o cristão, uma vez que este se liberta da escravidão do pecado, do mundo, das veleidades terrenas. Trata-se do julgamento reflexo e autônomo que flui lá do íntimo do coração sintonizado com seu Senhor. São Paulo aconselhava a Timóteo a ter um coração puro, boa consciência e fé sincera (cf. 1 Tm 1,5).

E asseverava aos romanos: “Tribulações e angústias sobrevêm à alma de todo o homem que praticar o mal” (Rm 2, 9). Podia garantir que “a glória do homem virtuoso é o bom testemunho de sua consciência” (2 Cor 1). Não existe, realmente, nada mais precioso do que a boa consciência, que é o aplauso de Deus lá dentro de cada um. Os franceses têm um ditado maravilhoso sobre o assunto: “O melhor travesseiro é a boa consciência”.

Para concluir nada melhor as palavras do sábio Cardeal Newman: “Consciência é a voz de Deus no coração do homem”.

 Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

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Crescendo em Sabedoria

 

A Bíblia diz: àquele que tem, dar-se-á mais ainda. E àquele que não tem, até aquilo que ele pensa ter vai perder. Porque Deus é assim: se obedeço, o Senhor vai me dando mais sabedoria; se sou dócil, Ele me responde mais e mais e vou crescendo, justamente em obediência e sabedoria.

Mas se Deus fala, mostra, e não obedeço, vou ficando “casca dura”, ficando surdo. O Senhor não se cala, mas eu vou ficando surdo, calejado em não ser mais capaz de entender o que Ele está mostrando e em não obedecer. Mas Deus Pai nos dá uma grande chance de aprender a sabedoria em todas as coisas de nossa vida. Comece a fazer isso, a partir de agora; se você já fazia, melhor ainda; se não, comece a fazer:

- Pergunte a Deus sobre tudo;

- Comece a colher lá dentro de você a resposta do Senhor, espere essa resposta;

- Uma vez que o Todo-poderoso lhe deu a resposta, obedeça.

São três coisas simples: pergunte tudo, colha a vontade de Deus lá no fundo do seu coração e, terceiro, obedeça.

(Trecho do livro “A Sabedoria está no ar” de monsenhor Jonas Abib)

Monsenhor Jonas Abib

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Na Obediência Vamos Adquirindo a Sabedoria

 

Muitas vezes, a resposta vem não de acordo com a nossa expectativa. Estávamos querendo comprar algo, não é? Afinal de contas, está em oferta, é uma ocasião única de fazer aquele negócio. E a resposta do Senhor, lá dentro de nós, é: “Não, não compre, você não precisa, não é hora de comprar”. E passamos a ter a certeza de que o que Deus semeia lá dentro é o “Não, não compre”, embora a nossa sensibilidade esteja afogueada em comprar, por se acreditar estar diante de uma boa chance. Mas na hora em que captamos a resposta de Deus: “não”, com toda a obediência e docilidade, nada fazemos.

Se não é comprar, não compro. Para isso eu preciso de oração, para ser dócil, para ser obediente. Porque, muitas vezes, Deus já semeou a resposta dentro de nós e fizemos justamente o contrário do que o Senhor disse.

Quantas vezes você estava numa situação difícil na sua casa, e a sua vontade era brigar, “jogar tudo na cara” do outro. Mas um pouquinho antes de você começar a falar, de “soltar os cachorros”, a resposta de Deus Pai veio lá de dentro:”Não, não fale! Não diga, não xingue agora”.

Às vezes, ao contrário, Deus quer que falemos com o filho sobre tal coisa, que a esposa fale ao marido algo de que não gostou ou que ele não deve fazer. E o Senhor diz em nosso interior: “Vá e fale”. E a gente escuta, mas, por medo, não tem coragem, não vai, não fala. Não fala para o filho, não fala para o marido, não fala para a mulher naquela hora. E depois estraga tudo. Por quê? Porque faltou obediência, faltou docilidade.

E é justamente na docilidade – quando Deus diz “Sim, é para fazer” –, e na obediência que vamos adquirindo a sabedoria. Porque hoje o Senhor fala, eu obedeço; amanhã Ele fala, eu obedeço; depois Ele fala novamente, eu obedeço. Deus fala, eu digo: “Sou vosso, Senhor”; Deus fala, eu faço do jeitinho d’Ele. E com isso vou adquirindo prática em captar a resposta do Todo-poderoso, em pôr aquilo em ação.

(Trecho do livro “A Sabedoria está no ar” de monsenhor Jonas Abib)

Monsenhor Jonas Abib

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Sabedoria de Deus – Loucura no Mundo

Uma das passagens da bíblia, que acho mais linda e cheia de ensinamento é a seguinte:

” O SENHOR apareceu a Salomão, num sonho noturno, e lhe disse: “Pede o que desejas e eu te darei”.
 
Salomão respondeu: “Tu mostraste grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com fidelidade, justiça e retidão de coração para contigo. Tu lhe conservaste esta grande benevolência e lhe deste um filho para se sentar no seu trono, como é o caso hoje. Agora, SENHOR, meu Deus, fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. Teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá, pois, a teu servo, um coração obediente, capaz de governar teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”
 
Este pedido de Salomão agradou ao SENHOR.
 
Deus disse a Salomão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido. Dou-te um coração sábio e inteligente, de modo que não houve igual antes de ti, nem haverá depois de ti. E dou-te também o que não pediste: as riquezas e a glória, de tal modo que não haverá teu igual entre os reis durante toda a tua vida. E se andares nos meus caminhos e observares os meus preceitos e mandamentos, a exemplo de Davi, teu pai, eu te darei uma longa vida”. I Reis 3, 5-15.
 

Refletindo em cada palavra do trecho acima, confesso que fico impressionada com o comportamento de Salomão e constato o quão importante é ser manso e humilde de coração, para se experimentar a magnitutide de Deus. 

Trazendo este acontecimento para os nossos dias, me pergunto: Se Deus, hoje, aparecesse para cada um de nós, seja em sonho ou pessoalmente, ou ainda de uma outra maneira, e nos fizesse a mesma pergunta: ” Pede o que desejas e eu te darei” , qual seria a nossa resposta? Como e onde estaria o nosso coração para que pudéssemos responder a Deus?  Estão os nossos anseios baseados nas questões materiais ou espirituais? Infelizmente, ouso dizer, que a grande maioria das pessoas fariam pedidos relacionados a riquezas, glórias e vaidades terrenas. Estão tão ligadas ao materialismo exarcebado, que sequer desejariam por exemplo: paz, saúde, cura, libertação, entendimento, sabedoria, discernimento, perdão, salvação, vida eterna, etc…

Estamos tão imersos nos conceitos capitalistas, que sinalizar qualquer posição em relação a vida espiritual nessa altura do campeonato, soa como grande loucura para a sociedade. Uma grande perda de tempo.  E é justamente para essas horas que penso tanto em Salomão e em seu coração tão cheio da sabedoria de Deus.

MENSAGEM DO DIA

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A Cada dia Basta o Seu Peso

Quarta-Feira, 27 de janeiro 2010

Jesus com certeza viveu aquilo que Ele mesmo nos deu como receita de vida: “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã: o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal” (Mt 6, 34).

Você já viu aquelas carretas que carregam muito peso e por isso têm muitos pneus? Chegam a parecer com uma centopéia. Conversando com um engenheiro de estrada, ele me explicou que, devido ao peso, são necessárias muitas “rodinhas”, porque assim o peso fica dividido.

Em sua imensa sabedoria Deus fez o mesmo conosco: dividiu a nossa vida em “rodinhas”. A cada dia basta o peso da preocupação que somos capazes de suportar, sem precisar perder o equilíbrio. A cada dia basta o seu peso.

Sempre teremos adversidades, cruzes, sofrimentos e Deus fez a partilha do dia-a-dia de acordo com a têmpera de cada um. Não suportamos toda a pressão de uma só vez, do contrário caímos num grande desespero. Há muita gente acabando com a própria vida por querer carregar tudo: o presente, o passado e ainda pensar nos problemas do futuro.

Não é assim que as coisas devem funcionar. O nosso Deus é alegria, vida e paz! Não podemos viver com o coração pesado.

Combatentes na alegria

Monsenhor Jonas Abib

Extraído de: www.padrejonas.com

Começar de Novo ou Recomeçar?

«Começar, estamos sempre a começar. Temos um Ano Novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade.

Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um bom Ano Novo.

Não esqueçamos ao longo do ano que começa hoje que há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo.»

(Vasco Pinto de Magalhães, em “Não há soluções. Há caminhos.”)
* Extraído do blog – Abrigo dos Sábios – de Paulo Costa
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