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Amigo de Verdade é Aquele que Corrige
O melhor, às vezes, exige correção
Há um princípio fundamental em qualquer amizade: ela deve nos fazer crescer. Como uma árvore boa é podada para poder dar frutos bons, assim também, durante a caminhada de crescimento e de amadurecimento, o ser humano precisa de algumas boas “podas”. Passar por esse processo não é fácil e, muitas vezes, nem aceitamos que qualquer um nos pode. Por isso Deus coloca algumas pessoas especiais em nossas vidas não só com a oportunidade, mas com a missão de nos corrigir para nos fazer crescer.
Monsenhor Jonas Abib, certa vez, escreveu que existem situações de nossa vida nas quais, muitas vezes, só o amigo é capaz de nos corrigir. O conhecimento mútuo, ou seja, a intimidade que uma amizade gera entre duas pessoas produz um conhecimento tão profundo da alma do amigo que nos permite saber a forma e quando corrigi-lo. O amor compartilhado é capaz de abrir “compartimentos lacrados” de nosso coração, os quais precisam da luz da verdade sobre as nossas misérias, para que estas possam ser curadas.
Por causa da abertura de alma que há numa amizade um amigo é capaz de chegar aonde ninguém consegue. Ele é capaz de atingir e tocar nos pontos mais delicados de nossa história, de nossa vida, com toda a maestria que só o amor é capaz de suscitar. São feridas nas quais ninguém havia tocado, mas que somente um amigo é capaz de tocá-las e curá-las com seu amor.
Um bom amigo é como um bisturi nas mãos de Deus, capaz de rasgar a nossa alma para que todas as mazelas sejam expelidas e o coração possa ser curado. Esse processo é muito doloroso no início; não é fácil aceitar a correção e escutar tantas verdades da boca de alguém. Muitas vezes, isso fere, machuca e realmente arranca pedaços, mas, logo depois, o bálsamo do amor do amigo é derramado, consolando, aliviando e cicatrizando as nossas feridas. Alguém precisa fazer o serviço, por isso Deus usa dos nossos amigos. Ele sempre se utiliza de alguém para agir em nossa vida, suscitando a pessoa certa para que, através do amor concreto, toque na ferida e cure o nosso coração.
Pressuposto de uma amizade madura e saudável é a correção. A Palavra de Deus nos ensina: “Corrige o amigo que talvez tenha feito o mal e diz que não o fez, para que, se o fez, não torne a fazê-lo” (Eclo 19,13). Amigo que não corrige, não faz o outro crescer e por isso não ama de verdade. Um relacionamento de amizade verdadeira em Deus não comporta omissão. É preciso haver verdade, sinceridade e por isso liberdade para poder corrigir, mas fazê-lo no amor. Quem ama quer o melhor para o outro e esse melhor, muitas vezes, exige correção.
Saber que alguém que está nos corrigindo nos ama não nos anestesia da dor da “poda”, mas nos traz segurança. Podemos até resmungar, nos irritar, no entanto, ouvimos e acabamos aceitando. Lá na frente veremos o quanto aquela exortação nos fez crescer e nos livrou de tantos sofrimentos.
Se um amigo o corrigiu, aceite a correção! Exortação não é questão de falta de carinho; pelo contrário, é ato concreto de quem ama e quer o melhor para nós. Se um amigo seu precisa de correção, não se omita! Não deixe que o seu medo de perder a amizade por ter de corrigi-lo o leve a perdê-lo definitivamente. Mostre o seu amor e se comprometa com a vida dele. Cumpra sua missão de amigo: corrija e o ganhe para sempre; o ganhe para Deus!
Texto de Ronan Félix – Extraído do Portal Canção Nova – www.cancaonova.com -
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O Caminho do Amor não é o mais Fácil
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É preciso disposição para mudar de vida
Nesta Quaresma, celebramos algo que acontece, se atualiza e se manifesta. É vivo. Jesus veio para nos salvar e não para nos condenar. Essa luz e verdade, que é proclamada. Mesmo que exista incredulidade e resistência, Cristo nunca deixa de proclamar a verdade. Mas, para isso, precisamos viver esse tempo de prova e preparação. A experiência cristã nos convoca a essa realidade. Se a Palavra de Deus não permanece em nós, fazendo morada, a dureza do nosso interior, as incoerências e insensibilidades não cessam nunca.
Muitos daqueles que perseguiam a Jesus, buscando um motivo para condená-Lo, ouviram a Palavra de Deus, mas não buscaram mudança de vida. Até mesmo a Palavra que eles diziam observar, não estava no profundo do interior deles, não fazia morada neles.
“Se minha Palavra não permanecer em vós não podereis ser meus discípulos” (cf. Jo 8,31).
Permanecer, para São João, é experimentar Cristo. É ser verdadeiro discípulo. Morada lembra casa, que lembra intimidade, familiaridade. Aquele que traz a Palavra em seu interior torna-se alguém que tem intimidade com Deus.
Nesta Quaresma precisamos refletir sobre isso. Como está nossa relação com o Senhor? A Palavra de Deus encontrou morada em nós?
Quando você for se confessar, pergunte-se isto: você quer simplesmente apresentar os pecados ao sacerdote ou quer mudança? Só apresentá-los não basta. É preciso querer a mudança, senão, nada acontece. E vai ser apenas mais uma Quaresma. Contudo, é preciso disposição para mudar de vida. Pensar em “como” essa mudança vai acontecer de forma prática. A conversão maior é deixarmos todo desamor para assumir Deus, que é amor.
Sem experiência de amor não consiguimos deixar o desamor. Só existe fidelidade para o coração que ama e se deixa amar por Deus.
Em Êxodo está escrito que trocaram o Deus verdadeiro. E quantos de nós ainda estão adorando seus pecados, suas feridas? Pois, enquanto não aderirmos ao Deus verdadeiro, continuaremos perdidos, adorando outras coisas, e não adorando ao verdadeiro Deus, o essencial.
É no coração que está o centro das decisões, onde acolhemos o testemunho do Senhor. Quem rejeita Jesus, rejeita o Pai. Quem testemunha é o Pai. Não basta ver as obras, ler as Sagradas Escrituras, é preciso que a Palavra habite em nós. A Palavra precisa habitar em você para que aconteça a experiência verdadeira com o Senhor.
Mesmo diante da desobediência, o Senhor não desiste de nós. Ele está à sua espera. O Reino de Deus só se constrói na paciência. Quem não sabe esperar, erra.
Em Êxodo, lembramos o episódio daquele povo que, cansado com a situação enfrentada, resolve partir para a idolatria. Não são poucos os que hoje, diante das situações da necessidade de esperar, abandonam a Deus e buscam as soluções humanas em vez de esperar as promessas do Altíssimo. Essas pessoas jogam as promessas do Senhor fora, porque não sabem esperar.
Avalie, na sua vida, situações nas quais você cometeu erros, porque não quis esperar. Você se desesperou e errou. Até quando vai ser assim? Até quando vamos ser imediatistas e não vamos esperar no Senhor?
Precisamos aprender a esperar. Aprendamos com a Sagrada Escritura, com o Senhor, a ter um coração paciente. “Eu não entendo, mas eu espero”. Precisamos saber esperar. Quando não se espera, a rebelião interior e exterior acontece por causa do desespero. E tomado por esse sentimento ninguém toma boas decisões. Na tempestade, não há outra coisa a fazer a não ser confiar que o Senhor está na “barca”. E se Ele ali está não há o que temer. Porque Ele tudo pode. Ele está conosco! É preciso a experiência de confiança. Só crescemos na confiança com aquilo que conhecemos. E conhecer é experiência. É saber que o Senhor é íntimo, é próximo.
Eu preciso decidir a vida, além das minhas feridas. Preciso decidir a vida no amor. É isso que Jesus fez todo o tempo. Decidiu além daquilo que fizeram a Ele. Mesmo chagado, Ele perdoou, porque decidiu no amor e não nas feridas. Pois a caminho do amor não é o mais fácil, mas é o que gera redenção e nos transforma.
Padre Eliano
Fraternidade Jesus Salvador
Extraído de www.cancaonova.com
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O Caminho da Reconciliação

Pregar a reconciliação num mundo como o nosso, onde o rancor e a vingança vão ganhando espaço nos corações, é uma grande e difícil tarefa! Na maioria das vezes o gosto é amargo, mas não é impossível!
Reconciliação significa realizar um acordo entre as partes numa comum unidade e entendimento.
Porém, o verbo grego tem uma força de expressão maior: indica a passagem de um estado para outro.
Apresento aqui duas formas de reconciliação: Com Deus e com os irmãos (pai, mãe, filhos, amigos, cônjuges, vizinhos…). A reconciliação com Deus é sempre necessária e urgente. Reconciliar-se com o Senhor, deixar-se fazer novamente amigo d’Ele! Experimentar a misericórdia de d’Ele, deixar que Ele exercite em mim a Sua misericórdia!
Na verdade, todos nós necessitamos de misericórdia. Necessitamos dela por causa das nossas grandes responsabilidades, assim como por causa da nossa fraqueza e miséria moral. Mal podemos dar três passos sem errar algum.
Aprendamos a usar o caminho privilegiado da reconciliação, que é o sacramento da confissão, como sinal sagrado instituído por Cristo para perdoar os pecados mortais e para incrementar a graça santificante.
Também podemos falar a Deus, quando nosso coração está pesado e sem motivação; quando estamos tristes ou preocupados. São atos simples, que podem ser feitos em qualquer lugar e que mantêm a nossa alma orientada para o Senhor. Eles nos preparam para uma boa e sincera recepção do sacramento da Penitência.
A reconciliação com nossos irmãos é essencial. É a oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Com certeza, não haveria verdadeira reconciliação com Deus se não houvesse um perdão sincero pelas faltas dos nossos próximos. Olhando para a Parábola do Filho Pródigo (cf. Lc 15, 1ss), a atitude do filho mais velho é altamente significativa. Ele também tinha necessidade de se reconciliar com o coração de seu pai. Apesar de estar fisicamente próximo, espiritualmente estava muito longe e precisava da misericórdia do Pai.
Podemos dizer que o filho mais velho descobre a misericórdia do Pai vendo a misericórdia deste para com seu irmão. Faz-se, por assim dizer, participante da misericórdia do Pai.
Se hoje você enfrenta esse grande desafio interior de perdoar, creia e dê o passo. Perdoar e se reconciliar é experimentar um pouco de Deus! Sentir o gosto bom da presença d’Ele em nós! É a sensação de vitória, de bem-estar por ter vencido um obstáculo…É vivência de uma obra nova dentro de nós!
Tenha a disposição interior de perdoar e depois disso, dê um passo, faça um gesto concreto.
Perdoar é libertação para o coração, para a alma. Não tenha medo!
Texto de Paulo Vítor – Extraído do Site da Canção Nova
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O Que Faremos com o Nosso Coração?

Recomeçar
O tempo passa, a roda continua a girar e a cada dia novas coisas acontecem na nossa vida: conhecemos pessoas, descobrimos afinidades, revelamos talentos. Aprendemos com tudo e todos. Ensinamos talvez alguma coisa. Mas nunca passamos despercebidos. Vemos mas não enxergamos, ouvimos mas não compreendemos, tocamos mas não sentimos. Oportunidades que vão e vem, caminhos que se abrem, emoções à flor da pele. Tristezas e alegrias, sorrisos e lágrimas, canções que nos envolvem e penetram em nossa alma. Reflexões acerca do nada ou do tudo. Minutos e segundos. Dia após dia, começos e recomeços! Sempre é dia de recomeçar. . .
Recomeçar
Não importa onde você parou… em que momento da vida você cansou… o que importa é que sempre é possível e necessário” recomeçar”. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo… é renovar as esperanças na vida e o mais importante… acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? foi aprendizado… Chorou muito? foi limpeza da alma… Ficou com raiva das pessoas? foi para perdoá-las um dia… Sentiu-se só por diversas vezes? é por que fechaste a porta até para os anjos… Acreditou que tudo estava perdido? era o indício da tua melhora… Pois …agora é hora de reiniciar… de pensar na luz… de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Que tal um novo emprego? Uma nova profissão? Um corte de cabelo arrojado… diferente? Um novo curso… ou aquele velho desejo de aprender a pintar…desenhar…dominar o computador…qualquer outra coisa… Olha quanto desafio… quanta coisa nova nesse mundo de meu Deus te esperando. Está se sentindo sozinho? besteira… tem tanta gente que você afastou com o seu período de isolamento tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para “chegar” perto de você. Quando nos trancamos na tristeza… nem nós mesmos nos suportamos… ficamos horríveis… o mal humor vai comendo nosso fígado…até a boca fica amarga. Recomeçar… hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar? ir alto… sonhe alto… queira o melhor do melhor…queira coisas boas para a vida… pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…coisas pequenas teremos…s e desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutamos pelo melhor… o melhor vai se instalarna nossa vida. É hoje o dia da faxina mental… joga fora tudo que te prende ao passado…ao mundinho de coisas tristes… fotos…peças de roupa…papel de bala… ingressos de cinema…bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora…mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida… para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
Paulo Roberto Gaefke
Aceitação e Compreensão
Quando nos encontramos em uma situação que nos aflige muitas vezes buscamos compreender todas as facetas do ocorrido, analisando as pessoas envolvidas, as atitudes tomadas, o comportamento permitido ou omitido, os sentimentos gerados e as marcas causadas, para que a um determinado tempo a dolorosa situação possa ser de fato assimilada e aceita.
E como fazemos isso! Remoemos frases ditas e pensadas, relembramos acontecimentos e atitudes que fizeram com que tudo desembocasse no lamentável acontecimento, nos culpamos, culpamos os outros, mergulhamos compulsivamente em flashbacks aqui e acolá, tudo para produzir uma centelha sequer que nos ilumine na compreensão do porque aquilo aconteceu conosco.
Sofremos, choramos, sentimo-nos perdidos, desiludidos, fracos, derrotados, decepcionados. Queremos respostas imediatas, soluções mágicas, que sejam capazes de nos libertar da tortura da dor de um coração dilacerado. Queremos colo, queremos diálogo, queremos a réplica, a tréplica. Queremos entender e compreender cada segundo do que aconteceu, do que passou, do que foi gerado em nós e nos outros.
Marcas que se vão e que permanecem em nós para sempre. Relacionamentos que se desfazem, que se abalam e que são questionados. Pessoas que saem e que entram na nossa vida num piscar de olhos. Sentimentos confusos, misturados, desorganizados, gerando insatisfação com o tempo e o espaço. Uma estranheza com a própria pele.
É duro! É triste! Não é fácil! Mas é preciso enfrentar o espelho. É preciso o olhos nos olhos para que a coragem e a esperança voltem a brotar dentro de cada um de nós.
Buscar a compreensão e o entendimento de tudo o que nos acontece na vida, para em seguida alcançarmos a aceitação, parece-nos o caminho mais lógico e racional. Entretanto, ouso dizer, depois de muito me torturar por situações passadas, que existem situações na vida, nas quais é preciso primeiro aceitar, para só então conquistarmos a compreensão e o entendimento de determinado fato.
Por mais difícil que possa parecer e ser, muitas vezes, bucar a aceitação de um acontecimento antes mesmo de compreendê-lo, se torna um alívio imenso para a nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Nessas horas, a aceitação surge como um grande livro diante dos olhos, no qual encontraremos os ensinamentos que precisam ser aprendidos em decorrência deste ou daquele acontecimento, que tanto nos provou, nos magoou e nos machucou.
E uma coisa é certa, os ensinamentos adquiridos em decorrência dos erros, das dores e das mágoas, se tornam de fato inesquecíveis pois fortalecem toda a nossa estrutura.
Quando a compreensão não estiver sendo a melhor saída, não hesite em aceitar, pois com toda certeza, da aceitação, o entendimento virá.
Se a cruz estiver pesada demais para carregar, abrace-a! Pois aí com certeza ela se encaixará perfeitamente para que possas carregá-la com mais facilidade e sem tanto sacrifício.
“Jesus disse: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” Mt 16,24.
O HOJE: DIA DE MUDANÇA
Sempre traçamos planos para nossa vida. Seguimos caminhos ora tortuosos, ora estreitos, ora totalmente planos. Fazemos escolhas aqui e ali e muitas vezes nos esquecemos que ao longo desses caminhos, obstáculos, desafios e pessoas surgirão, podendo ou não nos desestabilizar. Tudo vai depender do quanto estamos preparados para a tal “viagem” e se soubemos escolher o que era de fato essencial para levar na bagagem.
Nessas trajetórias de cada um, ao longo do caminho vamos tomando decisões que podem acarretar muito ou pouco no nosso futuro. Mas de uma forma ou de outra, sempre teremos que assumir os riscos e as conseqüências de cada escolha.
Muitas vezes deixamos de tomar esta ou aquela decisão, optamos por abster este ou aquele momento, por simplesmente querermos o que é mais cômodo, mais estável. Deixamos de se entregar aos outros por medo de não dar certo. Criamos padrões tão distantes da realidade, que nos frustramos por não alcançá-los nunca. Passamos a só enxergar o que está errado, o que falta, o que precisa ser mudado. Tornamo-nos tão críticos com os outros e consigo mesmos, que nos sentimos no direito de julgar o tempo todo.
Curiosamente isto acontece, porque partimos sempre do princípio que somos os corretos, os perfeitos, os bons! E assim, contraditoriamente, acabamos por atrair cada vez mais, exatamente aquilo o que supostamente não queremos, já que aquilo que julgamos estar errado no outro, muitas vezes está mais errado em nós mesmos em primeiro lugar. E não tem sentimento mais triste e destrutivo do que a insatisfação.
A Insatisfação é aquele sentimento de vazio, de inconstância e de ausência de plenitude. Por mais que tenhamos as coisas, por mais que busquemos as oportunidades, estaremos sempre incompletos, já que não selecionamos lá atrás, os itens corretos e essenciais pra levar na bagagem da viagem da vida.
Em tempos de multimídia, alta tecnologia, de stress, excesso de trabalho, relacionamentos desestruturados, descuidos com a saúde, busca excessiva pelo dinheiro e as riquezas, e principalmente, em tempos de falsas aparências e de padrões que sejam aceitáveis pela sociedade, vale a pena tirar o foco do mundo, e colocá-lo sobre si mesmo.
Faz-se necessário e urge questionar como estamos alimentando o próprio espírito e o próprio corpo. Não adianta ser o motorista se o carro não tem combustível. Não adianta por o pé no asfalto se estamos descalços. Não adianta querer o mundo se estamos perdendo a vida.
Hoje pode ser o primeiro dia para uma vida nova, pensem nisto!
QUESTÃO DE TEMPO
O que é o tempo para vc? Com certeza já ouvimos muitas afirmativas a respeito de tempo: “Tempo é dinheiro”, “Não tenho tempo para isto”, “É tempo de vacas magras”, “Em tempo real”, “Todo tempo do mundo”, “O tempo apaga tudo”, “Tempo de Mudar”… E com toda certeza sempre é tempo de mudar, pra melhor, diga-se de passagem!
Numa análise rápida, será que sabemos administrar o tempo em nossas vidas? Ou pelo menos sabemos tirar proveito do tempo disponível que temos? Não sei se todos nós sabemos, acredito que a maioria não, mas este é um exercício que devemos procurar praticar diariamente.
A cada dia estamos cada vez mais envolvidos com nossas rotinas diárias: trabalho, escola, família, lazer, esportes, cultura, descanso, e ainda sim deixamos pra trás tantas e tantas coisas importantíssimas pelas quais daríamos todo nosso esforço para ter mais “tempo” e poder realizá-las.
Vinte e quatro horas já não são suficientes para muitos. Algumas pessoas não podem nem mais ter o privilégio de uma boa noite de sono, porque precisam deste tempo para realizar coisas que ao longo do dia não foi possível. Para
outros, porém, estas mesmas vinte e quatro horas são uma eternidade, pois não conseguem fazer em todo tempo disponível algo produtivo e prazeroso.
E no frigir dos ovos mais uma afirmativa: “Tempo (definitivamente) é questão de prioridade!” Precisamos priorizar a Deus, a vida, a alma, a verdade, a justiça, o perdão, a felicidade, as relações, as amizades, a família, a humildade, o momento, o tempo em si.
RESPIRAÇÃO
Respirar é estar vivo! A respiração é o processo pelo qual a vida se mantém pois sem oxigênio a vida se esvai.
O processo da respiração consiste em dois movimentos: inspirar e expirar. Não respiramos somente levando o ar puro para dentro de nossos pulmões. É preciso que ele entre. que percorra seu caminho, para então sair, trazendo todas as impurezas que encontrou lá dentro de nós.
Se tudo começa com uma inspiração quando nascemos, da mesma forma quando morrermos, tudo terminará com uma expiração, o último suspiro.
Quando estamos ansiosos, nervosos, perturbados, nossa respiração tende a ser curta e acelerada. Mal sentimos o ar entrar em nós e já o expelimos. Quanto menor for o intervalo entre o inspirar e o expirar, menor será nossa percepção da respiração e, por conseguinte, menores serão os benefícios alcançados para nossas funções vitais. Por outro lado, quando estamos relaxados, calmos, tranqüilos, nossa respiração tende a ser longa e lenta. Sentimos cada milímetro cúbico de ar que preenche nossos pulmões. Aquela sensação de saciedade, de conforto e paz, faz com que prolonguemos ao máximo cada estágio da respiração. É como se quiséssemos prender o ar inspirado pelo máximo de tempo possível, eliminando-o pausadamente, em slow-motion, para sentirmos até o último resquício de sua saída.
A respiração inadequada provoca ansiedade, irritabilidade e tensão. Quando abafamos o que sentimos ou pensamos, tensionamos toda a musculatura envolvida no processo respiratório, afetando inclusive a qualidade vocal. O nosso estado emocional altera significativamente o tipo respiratório, prejudicando a quantidade de ar que respiramos e conseqüentemente, seus benefícios nas trocas com o sangue e com o próprio ambiente.
Fazendo uma analogia da respiração com as relações na nossa vida, o inspirar corresponde a tudo aquilo que queremos guardar dentro de nós. Todos os sentimentos que julgamos essenciais ao bom funcionamento do nosso corpo, tais como: amor, esperança, carinho, saúde, paz, alegria, felicidade, segurança, conforto, etc. O expirar por sua vez corresponde a tudo aquilo que precisamos colocar pra fora, a fim de mantermos o meio interno em seu devido equilíbrio.
Se inspiramos coisas boas e nos nutrimos de sentimentos essenciais, do mesmo modo, é preciso que expiremos coisas boas como: perdão, amor, solidariedade, empatia, justiça, respeito, ternura, compreensão, caridade…, para que a troca do meio interno com o meio externo seja produtiva e eficaz. Preencho-me daquilo que me falta e libero para o outro aquilo que lhe falta numa troca perfeita, temporal e sincronizada.
Infelizmente, nem sempre esse processo é feito com o ar puro. Por muitas vezes acabamos inspirando impurezas, sentimentos negativos como raiva, rancor, ódio, inveja, maldade, desconfiança, preconceito, tristeza, decepção, dor e da mesma forma acabamos expirando coisas ruins também, desequilibrando todo o nosso conteúdo e a nossa essência. Prendemos dentro de nós sentimentos que nos desestabilizam e alteram nossa índole, deixando de soltar aquilo que de melhor temos para oferecer para o outro.
Sendo um ato involuntário, não podemos simplesmente deixar de respirar. É preciso buscar continuamente o equilíbrio entre o que se inspira e o que se expira, afim de que possamos ser filtro, ao menos para o ar que entra em nós.
Inspirar é amor! Expirar é perdão!
AFETOS E DESAFETOS
O relacionar-se com o outro é um processo que envolve inúmeros sentimentos e produz muitas reações. Qualquer que seja a natureza do relacionamento sempre haverá uma troca de informações entre as pessoas envolvidas. Tais informações poderão impactar positiva ou negativamente na maneira como as pessoas se comportarão dali em diante, acerca de diferentes assuntos e situações. O impacto positivo da interação de duas pessoas é o que chamamos de simpatia e o negativo, por sua vez, antipatia.
Considerando-se o ser humano como instrumento emissor e receptor no processo de comunicação e levando-se em conta a carga pessoal que cada um imprime no ato de comunicar-se, no que tange às suas preferências, sua bagagem cultural e peculiaridades, percebemos que para cada pessoa, um mesmo estímulo de mensagem será decodificado e absorvido de maneiras completamente diferentes.
A simpatia entre as pessoas tende a produzir sentimentos de reciprocidade e a manifestação de suas afinidades. Desta forma, é a partir de situações espelho, isto é, aquelas situações onde nos “encontramos” na maneira como o outro é, vive, pensa, age e reage, é que surgem os afetos.
Semanticamente, a expressão afeto é definida como sendo o “Sentimento benévolo e terno para com alguém” e tem como sinônimos as palavras: “amor, amizade, ternura e simpatia”.
Muitas vezes os afetos nascem despretensiosamente frutos de um encontro casual. Em outras ocasiões, fruto de um convívio mais prolongado ou simplesmente pelo exemplo que o outro passa a representar para nós. Paralelamente, algumas vezes, os afetos nascem de situações inusitadas, frutos de acontecimentos repletos de dor e tristeza como os falecimentos, as doenças, os acidentes e as tragédias. Nessas ocasiões inclusive, é que realmente percebemos quem são de fato nossos verdadeiros amigos.
Os afetos e desafetos por alguém ficam gravados em nós para sempre, mesmo que esta ou aquela pessoa saia de cena por qualquer circunstância. O registro desses sentimentos é o que compõem em nós a chamada memória afetiva.
A memória afetiva é o arquivo de todas as nossas emoções vividas, positivas e negativas, que funciona como um estímulo referencial para o que já vivemos, o que estamos vivendo e o que ainda viveremos. É através dela que vamos construindo, tijolo por tijolo, a obra que somos.
Aquilo que depositamos em nossa memória afetiva tem um impacto muito grande no empreendimento que podemos vir a ser, considerando-se que somos uma obra em construção.
Todos os afetos e desafetos que constituem essa biblioteca colossal dentro de nós chamada memória afetiva, podem servir para produzir frutos saudáveis, os quais servirão de alimento constituinte e reconstituinte para nosso crescimento pessoal e espiritual, ou para produzir pragas e frutos doentes, que desencadearão uma série de traumas, revoltas e sentimentos nocivos, os quais afetarão, primeiramente a nós mesmos, e conseqüentemente, a todos os que convivem conosco.
A forma como lidamos com os afetos e os desafetos no nosso dia-a-dia e a capacidade que temos ou desenvolvemos para aproveitá-los e/ou superá-los, é
que definirá a maneira como enxergamos o nosso próprio eu e, como interagimos e interagiremos com o mundo e com as pessoas ao nosso redor, uma vez que, tanto os afetos quanto os desafetos são instrumentos poderosos que podem nos edificar ou nos destruir, nos manipular ou nos libertar.
Administrar bem a memória afetiva é semear em terra fértil. É aguar e por esterco no jardim da vida. É cuidar do terreno da alma e do coração, para que as borboletas se acheguem e os lírios se desabrochem. E o grande segredo para tudo isto é nunca se esquecer de manter o jardim sempre limpo e organizado. Não se esquecer que as podas são necessárias e não significam exatamente remoção, perdas e sim reestruturação e renascimento.
Em tempos modernos, onde os relacionamentos estão cada vez mais voláteis mais líquidos e totalmente transponíveis, tudo e todos são facilmente, ou pelo menos aparentemente, substituídos com a mesma velocidade e freqüência com a qual trocamos de roupas, sapatos e acessórios. Tudo aquilo que deveria ser sólido, integral, profundo, uma vez que estamos lidando com pessoas e não com coisas, estamos falando de sentimentos e não de idéias, se funde, se liquefaz quase que inconsciente e ao invés de nos encontrarmos e de criarmos laços de afetos, acabamos nos perdendo e sendo vítimas no cativeiro dos desafetos mal resolvidos.